domingo, Maio 17, 2009

Amai-vos uns aos outros


“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no Meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes os que vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.»”

O relato evangélico deste dia associa três termos que ninguém espontaneamente associaria: “amar”, “observar” e “mandamento”. Que Cristo ordene o amor como seu próprio mandamento é tão claro como é claro à consciência pós-moderna que o amor não pertence ao âmbito do que se pode impor a outros. Não deve o amor brotar livremente do coração e ser fruto da vontade pessoal? Seria verdadeiramente meu um amor que experimento e vivo simplesmente porque alguém me pediu para o fazer? O que pede Jesus quando manda que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou? A ideia de uma ordem leva-nos à imagem de um superior que ordena ao inferior. Quem está acima e não quer fazer qualquer coisa que é necessário fazer ordena a quem está abaixo. Por detrás da ordem está o princípio de uma delega forçada. O superior e o inferior não cumprem as mesmas coisas. É o superior que decide o que fazer e o que mandar fazer. É mesmo isto que divide quem manda de quem obedece. É evidente que o amor ordenado pelo Filho é o mesmo que o une ao Pai. Logo Cristo ordena-nos aquilo que é fontal para a sua existência. Neste sentido, o mandamento não é um peso imposto por quem não quer fazer o que deve. Mas é a radicação e a partilha de uma experiência que se quer comunicar. O Pai no Filho e no Espírito Santo abriu-se ao mundo para que a humanidade se tornasse participante da sua própria natureza divina. A salvação coincide com a divinização do homem. Não se dá redenção sem que o homem seja elevado à própria dignidade de Deus. Tal privilégio é a entrada numa relação absolutamente singular: o amor entre Pai e Filho que nós chamamos Espírito Santo. Entrar na vida divina é entrar no amor que constitui a vida das três pessoas divinas. Ser divinizado só poderia ser amar da mesma forma que Deus sabe amar. Fazer parte da comunidade dos “amigos” de Jesus não é ficar “a olhar para o céu”, contemplando e admirando Jesus; mas é aceitar o convite que Jesus faz no sentido de colaborar na missão que o Pai Lhe confiou e que consiste em testemunhar no mundo o projecto salvador de Deus para os homens.

1 comentário:

joaquim disse...

Na missão por Cristo, com Cristo e em Cristo.

Abraço amigo em Cristo