
Olá meus amigos. Hoje quero aconselhar-vos um livro que me parece excelente! Ora tomem um gostinho:
"A visão fundada no saber que se tem de morrer e em querer saber isso leva a viver a vida não só na sua dimensão responsável, mas também como fonte de gozo, de admiração e de sentido. Leva a viver a corporeidade não como lugar de manipulação e de prazer, mas como lugar de receptividade e de contemplação. Portanto, não é uma fuga da beleza da existência, mas a mais alta e plena realização das suas possibilidades e do seu mistério. É precisamente graças ao sentido que nos é dado pela aceitação querida da certeza de que temos de morrer que se atinge aquela consciência em que o real é vivido como dom, onde diariamente acontece o milagre da existência. Naturalmente, saber que temos de morrer e querer ou não querer saber isso, é o esquema de base através do qual damos um sentido ou outro à nossa existência. No sentido dado pelo facto de não querer saber que se tem de morrer, embora sabendo-o, como a maioria dos habitantes deste tempo, por exemplo, não está prevista uma consciência profunda, interior, espiritual, psicoespiritual; enquanto, ao contrário, quando se aceita a própria mortalidade, inicia-se uma viagem interior, um processo de transformação interior, lento mas progressivo, que empenha e compromete a existência inteira, tornando-a única e irrepetível. Original. Esta viagem interior, esta transformação profunda contínua da personalidade não acontece automaticamente por ter aceitado a própria mortalidade, embora seja a condição primária sem a qual não se poderia partir, mas através daquilo a que chamo a redução da própria neurose, manipuladora do real, subjugando-a às pretensões narcisistas e omnipotentes do nosso eu, do delírio de omnipotência. «A sabedoria não entrará numa alma maligna nem habitará num homem sujeito ao pecado». Portanto, pecado como separação da totalidade, de Deus, esquecendo-se de que se é parte dela. O pecado de considerar-se autossuficiente, em vez de filho da gratuidade. Há muitos que pretendem segurar a sua vida, reduzindo ao mínimo os riscos, não enfrentando novas experiências. Mas, para se viver verdadeiramente, é preciso trocar o conhecido pelo desconhecido, abandonar a certeza pela incerteza. Em geral, tem-se medo do novo quando se está inseguro, quando não nos sentimos à altura das nossas responsabilidades, quando estamos a morrer por dentro. A vida é interessante quando é vivida corajosamente, percorrendo espaços novos, desconhecidos; mas, quando se está saciado, é preciso procurar a mudança. Deixa os teus medos, troca a rigidez pela flexibilidade de carácter! Quando estamos seguros por dentro, enfrentamos todas as coisas fora de nós. Sê curioso e espontâneo. Não tenhas um programa rígido, tornarias estéril a tua vida. Viverias só uma parte da realidade, a que, precisamente, faz parte do programa que impuseste a ti próprio. Pelo contrário, deixa-te transportar pelo ritmo dos acontecimentos. Se fores senhor de ti próprio, os acontecimentos não só não poderão arrastar-te consigo, mas, ao fazê-los teus, mais te enriquecerás. Expor-te-ás ao fracasso de acreditares que um programa que te dá sucesso na vida também te dará, depois de alcançado, segurança e liberdade. Tratei muitas pessoas de sucesso e devo dizer que encontrei-as enjauladas, acorrentadas a esta mola que nunca as larga, que as obriga a nunca parar, a continuar para manter o sucesso alcançado. Nunca serão livres. Nunca se deterão nem conhecerão a vida, a verdadeira vida, que lhes permanecerá desconhecida. Acrescente-se que, em geral, quem não procura a mudança é uma pessoa irrealizada interiormente, incapaz de seguir o caminho da realização interior."
In, Felizes apesar de tudo, Paulinas 2011.
1 comentários:
Realmente
Ter a certeza de que um dia se deve deixar esta vida leva-nos a viver mais e melhor exactamente vivendo a partir do caminho interior que efectuámos com Jesus
Gostei
Obrigada
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